Tristeza só entristece. Percorre por dentro e por fora percebe-se. Reluz nos olhos e na face. Se abate até com o sol que aquece. Conforta-se na escuridão. Acreditar nos sonhos, isso não é o mais importante. É melhor olhar pela janela a grama do vizinho. Passa horas, dias, anos para sempre, mas sempre acaba em minutos, segundos distraídos. Vai ficando sem força pra respirar. Cansa, fica pálida, adoece e por fim se perde, desaparece. Tudo no seu tempo. E só é encontrada novamente quando se procura ou quando se deixa ser encontrada. E quem vai procurar o que não faz verão depois da tempestade? Depois que a minha grama cresceu, ficou verde e ganhou vida, posso dizer de verdade que o meu jardim tem cheiro e cor da felicidade que um dia eu pintei com as cores que eu mais gostava, porem não acreditava. E vejo que todo tempo perdido, não foi perdido. Foi necessário. Tive mais tempo pra mim, me reconhecia quando me equilibrava. E tudo agora faz sentido, faço piquenique e canto alto por ter chegado até aqui. É preciso um pouco de fim, pra viver assim. Enfim, feliz!
19 Dezembro 2009
16 Dezembro 2009
Com você eu viro chuva.
Cantei a minha melhor canção e como prêmio ganhei o teu melhor sorriso que invadiu e fez rir o meu olhar. Guardei na minha mão o beijo que você me deu. Cresceu encanto de cheiro suave, como a mais perfeita flor que no meu jardim já desabrochou. Viajei silênciosamente em meu ser imaginando a hora de te encontrar. De repente assim meio de súbito, você chega, me encontra, pega na minha mão, me mostra o que é realidade e dissolve o que eu dependia sem entender. Me levou junto com você, como nuvem arrastada com teus dedos e todo o universo junto com as maravilhas infinitas conspiraram sem parar. E agora não tenho mais medo da dor, nem medo dos fantasmas que já passou. Não tenho medo da tristeza talhada, porque a noite tem o teu cheiro e as estrelas tem o brilho dos teus olhos que eu espero que nunca acabe. Com você eu viro luz intensa e árvore forte. Viro vento que leva o medo de acreditar na sorte e viro chuva que me transforma em alma pura, com prazer e sem tortura.
11 Dezembro 2009
Quando eu choro.
O que não te emociona, é o que me faz chorar. Não é que eu chore à toa, acontece que eu sempre fico sensibilizada com algumas coisas que parecem ser minimas, mas que me surpreende em algum momento. Quase nunca consigo disfarçar minhas emoções e as lágrimas sempre descem. Já chorei de alegria, tristeza, alivio, dor, rancor, saudade, emoção, ódio, do filme, da reportagem trágica, da novela. Quando passei muito tempo fora de casa, quando quis sair de casa, quando descobri que estive doente, quando minha gatinha fugiu, quando minha mãezinha adoeceu e infelizmente faliceu. Chorei, chorei e chorei... E muitas vezes que chorei, sempre encostava alguém dizendo pra eu parar de chorar e que eu tinha que ser mais forte. E o que é ser forte? Não sentir emoção, não deixar que elas aflorem a flor da pele? Prender- se dentro de si pra que ninguém saiba da sua dor, dos seus medos e devaneios? Ter medo do que os outros vão pensar? Andar sempre sorrindo encarnando um personagem? Não, não acredito nessa lógica. Acho que a fraqueza está no medo de assumir os sentimentos e represar tudo dentro de si . Porque humano que é humano chora sim. Quando a vontade bate na garganta, nem tem como engolir, ela já vem de dentro. Se engolir não entendo como isso pode acontecer. Talvez porque é realmente insensivel e porque vive de metade. É meia vida. Vivemos por inteiro!!!
28 Novembro 2009
Eu sou.
Eu sou simples e transparente como a chuva, só molho quem se permitir. Me visto de esperanças e retalhos de gratidão. Me vejo como uma errante que parece nunca aprender a lição. Não deixa de lado os seus naufrágios e nunca revela de onde as cinzas vem. No corpo carrega uma alma cansada e no olhar as palavras que o coração tem. Parece esquecer todos os nomes que já teve e sempre cria os que virão. Não esquece de ninguém, nem das madrugadas. Se sente pequena como as estrelas distantes. Caminha por entre as pedras e tapetes flutuantes. Desenha sempre o mesmo nome e repete sempre o que desenhou. Vive de lembranças, sonhos e silêncio. E voa na imensidão da fantasia tentando entender como um instante pode se transformar em razão para viver uma eternidade.
24 Novembro 2009
Aqui se faz, aqui se paga.
Sinceramente não lembro de ser o motivo da infelicidade de ninguém que não seja da minha mesma. Por muitas vezes brinquei muito com minha dignidade, mas como todo mundo que opita por isso, tem a sua lição; e eu paguei muito caro por isso. E o engraçado disso tudo é que eu sempre achei que estava fazendo a coisa certa, acreditando nas minhas convicções que hoje vejo como insanidades. E quando me sentia distante de mim, era como me sentir grande e capaz de achar que já era o bastante, o suficiente pra me virar sozinha. E vivi esse faz de conta por um bom tempo, mas felizmente essa minha postura não foi além do que eu sou. Não foi capaz de passar por cima dos meus sentimentos, do limite do meu coração. E foi quando eu ouvi alguém dizer que era a hora de parar e voltar. E eu voltei. Voltei pro mesmo ponto que eu parti, agora podendo fazer tudo diferente, pra que a vontade de fugir de mim mesma não tenha a oportunidade de chegar novamente.
16 Novembro 2009
Do que eu não consigo esquecer.
Eu te amei desde o primeiro minuto que te vi e percebi que foi o ultimo que pensei em mim. E no céu bem perto de nossas cabeças, num quarto escuro e imenso, cheguei a ver anjos dançando felizes e confusos com a melodia das nossas palavras que pareciam mais canções improvisadas, mas afinadas e sintonizadas como nós. Os meus olhos não resistiam a luz dos teus e chegaram a querer lacrimejar de emoção, mas resolveram ficar e não parar de te olhar, porque a felicidade é a melhor coisa que existe e ver de perto é como ver milhares de estrelas e arranjos surpreendentes. E fiquei te amando até quando você menos mereceu. Quando me deixou tão triste e desperdiçou a beleza da felicidade que eu acreditava não ser só minha. Ah! Se tudo pudesse ser diferente, se o meu olhar não andasse tão sozinho e o meu corpo não parasse de chamar o teu. Talvez eu seria igual a você. Vivendo debaixo do pano, inventando amores, misturando as cores e palavras repetidas. Vivendo sem compromisso, sorrisos mais livres, encantando e acordando sempre desprendido.
02 Novembro 2009
Ideias difusas.
Na viagem da existência, tudo é infinito. Minhas ideias se confundem sempre, ficam batendo de frente, completamente difusas. Interrompem meu silencio e fico vagando na escuridão. E por trás disso tudo, não resta outra coisa, do que o vazio completo e pedaços de desespero formando uma imensa angustia. Parte do meu cenário vira estranheza e continuando a mesma sofro com alma e coração. Me sinto de forma humilhante, cheia de interrogações. Dizem que isso é coisa da idade. Mesmo assim, sem muito esforço , também me sinto de forma gigantesca capaz de brigar com o mundo para mudar essa minha postura. Porque os meus pensamentos e meus olhos, exibem estrelas que se atrevem a aparecer e conduzem as minhas ideias ao suposto corredor das infinitas esperanças renovadas.
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